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Thiasos Portus Kale |
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| Helena faz música Todos os anos havia uma reunião de pagãos na cidade da Helena e do Heleno, Portisboa, em que membros de uma determinada religião eram convidados a apresentar um ritual da sua religião como abertura do ritual. Este ano calhou ao nosso par. Helena ficou logo muito excitada e nem os medos de Heleno a deixaram em baixo. Apressou-se logo a espalhar a notícia pelos boards helénicos e pedir conselhos até que, finalmente, ela mais Heleno fizeram o guião. Mas Helena não estava satisfeita, faltava algo... Enquanto Heleno cuidava das partes mais "logísticas", comprando o material, passando o guião para depois o dar aos participantes e escrevendo uma pequena introdução ao Helenismos, Helena tentava compreender o que faltava no ritual aos Doze Olímpicos. Estava lá tudo: a procissão, a purificação, circumbalação, libações, hinos e até sacrifícios de bolinhos em forma de animais, um veado para Artémis, um leão para Apolo, uma águia para Zeus, um pavão para Hera... De repente tornou-se claro: faltava movimento, vida, faltava a dança e a música. Helena tinha pois duas opções: ou gravava um CD ou fazia a sua própria música. O problema com o CD é que lhe parecia pouco natural e teriam que carregar o leitor de um lado para o outro, para além de ser preciso ligar e desligar. O ideal seria a música natural. O problema era que embora o Heleno fosse músico ela não tocava nenhum instrumento. Para além disso eles estariam ocupados no ritual e era bem mais giro se fossem os participantes a tocar e cantar, orientados por eles. Mas ela não fazia ideia de quem eram os participantes, quanto mais a sua habilidade musical! Então tinham que ser instrumentos simples, que qualquer um pudesse tocar. Para além disso tinham que ser baratos e as músicas simples e conhecidas, mas com a letra alterada. Era isso mesmo. Pediu a Heleno que transformasse a letra de músicas populares e simples, músicas para crianças eram as melhores, como "O cuco", "Eu vi um sapo" ou "Come a papa", ou então músicas de natal, como "Jingle Bells" ou "É Natal", ou até músicas simples, em que o som dos instrumentos era sempre o mesmo, tipo tchu, tchu, tchu... e em que as quadras também seriam repetitivas. Enquanto isso ela ocupou-se dos instrumentos. Começou a sondar os preços e perdeu logo o entusiasmo - até os mais simples, como matracas, tambores ou recos-recos eram bem mais do que aquilo que ela podia dar para que cada uma das vinte pessoas previstas tivesse um instrumento. Resolveu então que algumas pessoas teriam como instrumento apenas a voz e as mãos, já que as palmas, assobios ou o bater das mãos nas pernas pode produzir uma pela precursão. Mas mesmo assim ela não podia pagar. Então lembrou-se de súbito de uma festa que houvera no Hospital em que a educadora da Pediatria tinha trabalhado com as crianças uns instrumentos simples, bonitos e baratos. Era mesmo isso o que ela precisava. - # - Antes de mais há que explicar que este não é um episódio dos Helenos nada comum. Não vai haver preços envolvidos, porque a maioria das coisas será reutilização, para além de que usam instrumentos que muitos têm disponíveis ou que variam muito nos preços. Mas se considerar-mos que compramos todos os materiais, uma matraca pode ficar por menos de 3,00€ e ainda sobram copos, ou iogurte para comer, sumo para beber ou cereais, um tambor é capaz de já ficar por uns 6,00€ e uma pandeireta também cerca de 3,00€.
MatracaA matraca é um dos instrumentos mais simples de fazer e que mais vezes vemos ser fabricado nas escolas e infantários. Dá um bom som de fundo e pode fazer muito barulho, pelo que não são precisas muitas. Pode servir de precursão ou até fazer efeitos semelhantes às ondas para, por exemplos, rituais a Poseidon. São precisos dois copos de iogurte, ou daqueles de sumo de fruta (os essenciais), ou até simples copos de plástico. Depois metem-se alguns cereais, como arroz ou cevada, num deles, e experimenta-se o som, fechando um contra o outro. Se se gostar do som é só fechar, com fita-cola ou cola, conforme o gosto. Pode-se decorar ou deixar assim, simples.
PandeiretaA pandeireta é um instrumento sobretudo associado aos ciganos que dá um bonito som. Também é fácil de construir. São precisas caricas e duas tiras de cartão ou cartolina, de igual comprimento, para além de pregos (um grosso e alguns mais finos), martelo, agrafador e cola, de preferência de pistola quente. É algo mais complexa que a matraca: alisam-se as caricas, espalmando-as com o martelo, e furam-se com o prego grosso e o martelo no centro. Nas tiras de cartão fazem-se buracos rectangulares onde se alojarão as caricas, duas para cada buraco. As tiras vão ficar sobrepostas, pelo que os buracos também têm que coincidir. Normalmente fazem-se entre 4 e 6 buracos. Enfiam-se as caricas duas a duas nos pregos mais finos e colam-se estes a uma das tiras de cartão, de forma a que as caricas fiquem no meio do buraco. Cuidado, a cola quente faz queimaduras muito grave, podendo atingir até o 3º e mais perigoso grau. Sobrepõe-se a outra tira sobre a primeira e agrafam-se, formando um círculo. Depois de secar é altura de decorar. Pode fazer-se de qualquer maneira, mas devido aos agrafos a melhor é forrar com, por exemplo, papel autocolante, que cobre estes e a sobreposição das pontas com que se fechou o círculo. Outro instrumento semelhante é o guizo. Simplesmente faz-se um círculo de cartão do mesmo modo, mas sem buracos, e penduram-se nele guizos para gato. Faz um som bastante diferente e duas pandeiretas e um guizo podem fazer belas músicas acompanhadas da matraca.
PomponsEmbora não sejam um instrumento propriamente dito, fazem um som muito bonito que se assemelha ao vento e pode ser usado para fazer belos efeitos. São para além disso fáceis de fazer, basta colar uma série de fitas de papel de várias cores a um suporte, como um pau de gelado. Depois é só abanar e ouvir o som, quantos mais melhor o efeito. Normalmente usam-se dois por pessoa, um por cada mão. São parecidos àqueles que as líderes de claque usam nos Estados Unidos.
CastanholasAs castanholas já eram usadas pelos Gregos antigos, e são uma bela maneira de animar uma música. Existem duas maneiras de fazer castanholas, usando nozes ou caricas, sendo que as segundas dão um som mais metálico e as primeiras assemelham-se mais ao bater das castanholas originais. Basta uma tira de cartão grosso que se dobra ao meio, colando-se nas pontas as duas nozes ou caricas, de forma que ao pressionar quando as pontas se fecham elas batam umas nas outras. Depois é por o cartão na mão e abrir e fechar, ou então colar um suporte de cartão e abanar para as pontas baterem.
TamborO tambor dispensa apresentações e é um dos instrumentos mais conhecidos. Para fazer um é preciso um vaso, um elástico grande o suficiente para ser enfiado no vaso, mas estreito o suficiente para o apertas (o melhor é comprar primeiro o elástico e depois o vaso), serapilheira (o tecido das sacas, vende-se para por em vasos nos lagos, por exemplo) para cobrir a abertura do vaso, cola branca e um pincel para a pincelar, de preferência grande. Basta cobrir a abertura do vaso com a serapilheira, segurando-a com elástico. Pincela-se a cola sobre a serapilheira de forma a cobri-la e espera-se que seque. E pronto, está feito o tambor. Pode-se então decorar, por exemplo pintando-o e pondo uma fita com um laço, ou não, para tapar o elástico. Pode-se bater o tambor com as mãos ou então espetar na ponta de um pau algo como as embalagens onde vêm os brinquedos dos ovos Kinder, redondo e oco, e usá-los para bater no tambor. Pode-se também usar uma tira de cartão em círculo, como na pandeireta sem buracos, colar aí a serapilheira e usar o mesmo método com a cola branca para ter um instrumento cujo nome desconheço, mas que já era usado na Grécia antiga. Outra ideia para fazer uma coisa parecida com um adufe é usar uma tira de cartão em círculo (porque é mais fácil de fazer que um quadrado) e colar serapilheira com cola branca em ambos os lados, metendo primeiro algumas caricas no interior.
Reco-recoO reco-reco descreve o seu som no seu próprio nome: rec-rec-rec-rec. Basta arranjar dois paus, cortando, por exemplo, um cabo de vassoura de pau, serrar fissuras a intervalos regulares num dele e depois lixar. Então é só raspar os paus e temos música!
Bem, e assim a Helena fez a sua banda e nós podemos por um pouco de música manual nos nossos rituais. Existem muitos outros instrumentos passíveis de ser construídos, como a lira, pau de chuva ou flautas e xilofones, mas não são tão fáceis de fazer ou tocar... De qualquer maneira, estes são mais que suficientes para fazer uma bela música e alguns até são já da Grécia Antiga, para fazer os Deuses "sentirem-se em casa".
~Miguel |
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