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  Alexandre, o Grande

356 A.C. a 336 A.C.

Mosaico de AlexandreAlexandre Magno, um nome que até há pouco não era conhecido de muitos mas que agora foi celebrizado. Um grande general, talvez o maior de todos os tempos, macedónio de berço, grego de educação, expandiu o seu domínio muito para além do que se julgava possível fazendo com que a cultura grega se espalhasse por toda a parte. Mas quem foi realmente Alexandre?

Podemos dizer que Alexandre foi um dos generais mais brilhantes de toda a história, se não mesmo o mais brilhante, liderando uma campanha militar com que conquistou mais de 30.000 km de território com 40.000 homens, territórios desde o Egipto, Pérsia, Índia, proclamando-se como Deus e sendo proclamado da mesma forma por vários oráculos e que conseguiu tudo isto em apenas 12 anos, morrendo com 32 anos de idade, em 323.

A informação que nós temos da vida de Alexandre provém de cinco historiadores principais: Arriano, Diodoro da Cicília, Curtios Rufos, Plutarco e Teodoro, que escreveram algum tempo depois do comandante ter morrido, pelo que se inspiraram em relatos de fontes secundárias.

Antes da época de Alexandre e de Filipe II, o seu pai, os outros gregos olhavam para a Macedónia, um território do norte da Grécia, como um grupo de bárbaros, consideravelmente inferiores a nível cultural aos restantes povos helénicos.

Colin Farrel, Angelina Jolie e Val Kilmer, como Alexandre, Olímpia e Filipe, respectivamenteNo entanto, no território da Macedónia havia muitas minas de ouro e prata, o que fazia dos macedónios o povo helénico mais rico. Quando subiu ao trono, Filipe II soube aproveitar essa riqueza e formou e treinou um dos melhores exércitos que o mundo já conheceu, do qual a célebre falange macedónia era a arma mais letal e mais bem treinada da Antiguidade. Subitamente, os outros gregos foram surpreendidos por uma Macedónia consideravelmente poderosa, se bem que ainda, segundo o conceito grego, bárbara.

A verdadeira história de Alexandre começa em 357, quando o rei Filipe II conhece Olímpias, uma grega da região de Épiro e se casa com ela, tornando-a mais uma das suas muitas esposas e firmando mais uma aliança estratégica. O que Filipe não sabia era que Olímpia tinha um lado profundamente místico e religioso, estando associada a cultos místicos e relacionando-se pessoalmente com divindades.

Começaram a correr histórias de que Olímpias era a consorte de um ser superior e de que tinha sido vista a dormir com uma serpente. O próprio Filipe avistou um dia a serpente com a mulher. Zeus, rei dos Deuses, é representado como serpente em muitos dos seus aspectos, e logo Filipe teve de concordar com os rumores, ou a mulher Olímpias era consorte de um Deus ou de um Daimon, ou então era uma feiticeira e podia lançar-lhe um feitiço. Em qualquer dos casos, Filipe decidiu que o melhor era deixá-la em paz e a sua paixão foi arrefecendo.

Quando isto aconteceu, Olímpias já estava grávida, e quando Alexandre nasceu em 356, na nova capital da Macedónia, Péla, Filipe não sabia se ele era seu filho ou se era filho de um Deus. Para o saber, o rei enviou um emissário a Delfos, para que Apolo lhe tirasse as dúvidas. Febo não lhe deu uma resposta directa, mas as palavras da Pitonisa, que instruiu Filipe a venerar a Zeus acima de todos os Deuses e a lhe fazer mais sacrifícios, foram claras para toda a gente: Alexandre era filho do Senhor do Olimpo. O Deus de Delfos ainda acrescentou que Filipe viria a perder a visão do olho com que espreitara Olímpias, profecia que se realizou dois anos mais tarde, em que Filipe ficou gravemente ferido desse olho, em batalha, e perdeu a visão.

Ruinas de PelaEntretanto Filipe voltava a sua atenção para a Grécia que desejava conquistar e as suas forças avançavam a partir de Agai, a capital ancestral e centro cultural da Macedónia, e de Péla, onde Alexandre e a mãe viviam.

O bebé crescia depressa e tornou-se numa criança e adolescente curioso e ambicioso. Tal como todos os gregos educados, lera Homero que se tornou no seu poeta favorito: segundo relatos ele dormia sempre com um exemplar dos poemas de Homero junto a ela. Desenvolve também uma inteligência fora do comum e aos 13 anos doma o cavalo Bucéfalos, que mais ninguém conseguia domar, apercebendo-se que este tem medo da sua própria sombra. A partir daí Bucéfalos foi sempre o cavalo de Alexandre.

Ao presenciar isto, Filipe convence-se da inteligência superior do filho e chega à conclusão que ninguém da Macedónia o conseguiria satisfazer, mandando vir Aristóteles, um dos mais geniais homens de sempre, da Grécia para educar o filho. Proporciona-lhe também um dos melhores recintos de aprendizagem de sempre: o Jardim das Ninfas, dedicado a estas divindades e parte dos Jardins do Rei Midas.

Todos os dias, numa gruta do jardim, Aristóteles educava Alexandre nos mais variados assuntos, ensinando-o a ser curioso e a pensar e analisar antes de agir. Foi durante estes tempos que Alexandre conheceu Hefaestion que viria a tornar-se o seu melhor amigo e, alguns dizem, até amante. Com a aproximação dos dois jovens, Filipe e Olímpias temeram que Alexandre fosse homossexual com traços femininos e mandaram vir prostitutas para ensinarem o príncipe.

Com a sabedoria transmitida por Aristóteles, a mitologia de Olímpias, o militarismo e poderio de Filipe e o próprio génio de Alexandre, estava o terreno preparado para que este se viesse a tornar num grande homem.

Aos 16 anos de Alexandre, Filipe já conquistara a maioria da Pérsia, apenas Atenas e Tebas se entrepunham entre o rei e o domínio de todo o território grego e estas tinham arrojadamente procurado abastecimento no inimigo persa, que sabia que se Filipe dominasse toda a Grécia se tornaria perigoso, enquanto que estando os gregos divididos em conflitos internos seriam inofensivos.

Entretanto, Alexandre estudava os registos das batalhas do pai e adquiria conhecimentos militares. Em Péla chegou mesmo a receber enviados persas que ficaram muito impressionados com o jovem. Mas o verdadeiro génio de Alexandre estava para se revelar, em 338. Túmulo dos Tebanos mortos na Batalha de Quereneia

A 338 Alexandre fez 18 anos e Filipe considerou que já era tempo de o integrar no exército, confiando-lhe o comando da cavalaria. Graças ao príncipe, os macedónios vencem os atenienses e os tebanos na batalha de Quereneia, que deixa claro que Filipe é o rei de toda a Grécia, sensação que o rei reforça ao libertar todos os prisioneiros de guerra. No entanto, não mais Filipe voltou a confiar em Alexandre e estes passaram a odiar-se, e tudo por amor.

Em 337 Filipe casa-se novamente, desta vez com Cleópatra, uma macedónia. Se ela tiver um filho do rei, este passará à frente de Alexandre na sucessão ao trono, pelo que Alexandre e Olímpias entram em grande tensão com o rei. Na festa de noivado, bêbado, o tio da noiva insulta Alexandre chamando-o bastardo e este replica. O pai levanta-se e desembainha a espada para castigar o filho, mas desequilibra-se e cai. Alexandre zomba dele e depois vai mais a mãe para o exílio, na casa do irmão desta, Alexandre, deixando a irmã do príncipe, Cleópatra, com o pai.

Então Filipe casa Cleópatra, a filha, com Alexandre, o cunhado, irmão de Olímpias, forçando assim Alexandre a voltar, já que este era uma peça chave. Mas Olímpias não regressa mais.

Sucede então algo que acelera os acontecimentos: Cleópatra tem um filho. Se Filipe viver tempo suficiente, esta criança será a herdeira do trono, mas não é isto que o destino guarda para ela.

Filipe está determinado a conquistar a Ásia, mas antes de partir para o continente envia um emissário a Delfos. Apolo diz-lhe: "O touro está enfeitado com grinaldas, o sacrifício está pronto", que o rei interpreta como querendo dizer que o rei persa está pronto para cair. Infelizmente para ele, o significado era outro.

Filipe tinha um guarda costas, Pausânias, que escolhera pela sua beleza e que era também amante do rei. Mas recentemente Filipe desinteressara-se por ele, apaixonando-se por outro rapaz e Pausânias não quis aceitar os factos e queixou-se, sendo forçado a beber até ficar embriagado pelos amigos do tal rapaz que depois o levaram aos condutores de quadrigas os quais o violaram. Quando o rapaz se queixou a Filipe este nada fez.

Por ocasião dos festejos do casamento de Cleópatra, irmã de Alexandre, e Alexandre, tio deste, Filipe organizou um grande festival em honra dos Deuses. Enfeitado ele presidia ao festival, quase como um Deus. Então Pausânias sacrificou-o, tal como o Oráculo previra. O guarda costas tentou fugir, mas foi convenientemente assassinado.

Logo se levantaram teorias de que Olímpias e, até mesmo, Alexandre estavam envolvidos no crime, mas nada se sabe acerca disso. A verdade é que Alexandre era o único herdeiro disponível e Olímpias encarregou-se de que este subisse imediatamente ao trono, e mandou matar o filho de Cleópatra e Filipe. A rapariga acabou por suicidar-se também, desesperada.

Em 336, com 20 anos, Alexandre subiu ao trono e 6 meses depois já detinha novamente o controlo da Grécia e do seu exército. Voltou então os olhos para a tão ambicionada Pérsia, a nação mais rica e poderosa de então, onde Dário, o rei, fazia os preparativos para se defender dessa nova ameaça.

Mas antes, em 335, Alexandre foi, pessoalmente, a Delfos, mas em má altura, no Inverno, quando não se faziam profecias porque o oráculo passava para as mãos de Dionísio até ao verão seguinte, quando este o devolvia a Apolo. Mas impaciente, Alexandre arrastou a Pítia até ao oráculo, e ela, derrotada, disse "Tu é invencível, meu filho" o que o rei interpretou como um sinal de Febo.

A partir daí Alexandre será sempre muito piedoso com os Deuses e volta-se então para a Ásia, mas antes de partir Olímpias diz-lhe que quando ele voltar à Grécia ela lhe contará um segredo surpreendente.

 

336 A.C. a 323 A.C. 

O primeiro passo que Alexandre tem que dar para conquistar a Pérsia é levar as suas tropas para a Ásia, o que só pode fazer atravessando o Helesponto, a actual Dardanelos,  um estreito marítimo.

O Helesponto representava um risco duplo para Alexandre, pois a sua armada marítima não só era muito mais pequena que a de Dário como era constituída por simples navios de remos que facilmente se afundariam caso o Helesponto fosse atingido por uma das frequentes tempestades. Alexandre foi, no entanto, favorecido pelos Deuses, com aconteceu depois várias vezes: o tempo estava perfeito e a armada de Dário distante. Para agradecer pela sorte, o rei fez um sacrifício a Poseidon no meio do Helesponto.

O Granicus, substancialmente mais pequeno e menos fundo hoje que na AntiguidadeMas na outra margem os persas preparavam-se para repelir Alexandre, com um exército constituído sobretudo por mercenários gregos e liderano não por Dário, que considerava Alexandre um novo rico, mas por Mémnon, ele mesmo um mercenário grego.

No rio Granicus deu-se a primeira grande batalha de Alexandre, e também a primeira na Ásia, a Batalha do Granicus. O general macedónio estava em desvantagem, mas ao empregar as técnicas que aprendera com o pai e ao conduzir à frente dos homens, o que lhes inspirava confiança, ele venceu. Os persas fugiram assustados e o seu general Mémnon correu a Dário a contar o que se passara. O rei da Pérsia decide que da próxima vez ele mesmo comandará o exército.

Alexandre chega então a Górdium que não lhe oferece resistência e o recebe de braços abertos. Nesta cidade do lendário Rei Midas, existe um carro de bois com um enorme nó que, segundo o mito, quem desfizer se tornará rei da Ásia. Alexandre assumiu o desafio, mas tal como os restantes não conseguia encontrar as pontas por onde o desprender. Então desembainhou a espada e cortou o nó. Nessa mesma noite abateu-se uma tempestade de relâmpagos violenta que foi interpretada como um sinal de que Zeus aprovava o acto do general.

Tomou então Issus e depois prosseguiu com o seu exército, usando Issus como posto de abastecimento, em direcção ao exército que Dário comandava. Mas o persa tomou outro caminho pelas montanhas e tomou Issus, cortando o abastecimento de Alexandre.

Azulejo da batalha de Issus

Deu-se então a Batalha de Issus. Foi uma batalha muito difícil para Alexandre, que teve, no entanto, vantagens geográficas, já que os persas, em número superior, não puderam cercar os macedónios por causa do mar e das montanhas que delimitavam o campo de batalha, mas o número superior dos persas chegou a abrir brechas nas falanges macedónias. Contudo, Alexandre ganhou e Dário fugiu, bem como muitos dos persas.

Entre os prisioneiros feitos encontravam-se a mãe, a mulher e as filhas de Dário, que Alexandre deixou continuarem a ter o mesmo nível anterior, afirmando assim que tomava conta das mulheres persas o que significava que ele era o verdadeiro rei da Pérsia.

Com facilidade, Alexandre conquistou o Chipre e a Fenícia. Então recebe uma carta de Dário em que este pede uma aliança. Alexandre recusa, referindo que Dário é-lhe inferior e se lhe deve dirigir como Senhor da Ásia.

O general vira a sua atenção para uma cidade cuja toma se tornaria noutra das suas grandes conquistas: a inconquistável ilha de Tiro.

TiroTiro dividia-se na nova Tiro, cidade no continente, e a velha Tiro, uma ilha sem qualquer ligação terrestre ao continente e completamente cercada de muralhas cujos alicerces se encontravam debaixo do mar. Por isso mesmo, os habitantes da velha cidade sentiam-se seguros na cidade que não podia ser conquistada por terra, e Alexandre não possuía força marítima.

Sabendo isto, Alexandre tentou conquistá-los pela diplomacia: quando foram enviados emissários da velha Tiro para saber o que ele queria, o rei disse que desejava fazer um sacrifício a Héracles no templo da ilha. Sabendo que deixá-lo entrar significava rendição, Tiro respondeu que havia um belo tempo a Héracles ali mesmo, no continente. Furioso, Alexandre respondeu que a lhes ia provar que a ilha de Tiro também fazia parte do continente.

Em Tiro escarneceram de Alexandre, mas este acabou por conquistar a ilha construindo um pontão que lhe permitiu unir a ilha ao continente para atacar por terra, ao mesmo tempo que atacava com navios do Chipre. Finalmente a inconquistável Tiro caiu e Alexandre matou ou vendeu como escravos todos os habitantes da cidade que não se encontravam no templo de Héracles, onde acabou por fazer sacrifícios, tal como dissera que queria.

Conquistar Tiro significava dominar um dos mais importantes portos e Alexandre permitiu-se ao luxo de descansar um pouco das conquistas. Foi ao Egipto que imediatamente lhe cedeu o título de Faraó, coroando como rei de todo o território.

O Oráculo do Oásis de SiwaAí dedicou-se a construir aquela que seria a primeira das Alexandrias e, também, a mais importante. Neste ponto estratégico do Delta do Nilo, Alexandre construiu um porto que se tornaria o centro de comércio do Mediterrâneo, reforçando o seu poder naval recentemente expandido com a conquista de Tiro. Ainda hoje, Alexandria é o principal centro comercial do Egipto.

Depois empreendeu-se numa peregrinação religiosa ao Oráculo de Siwa. No entanto, a viagem pelo deserto foi difícil. Primeiro acabou-se-lhes a água e estavam sedentos quando Zeus enviou uma tempestade que lhes encheu as ânforas de água. Então estavam já exaustos, talvez até perdidos, quando o Deus Apolo mandou corvos que os conduziram pelo deserto, dando-lhes as boas vindas ao Oráculo de Ámon, o Zeus Egípcio, frequentemente chamado de Zeus Ámon.

À sua chegada o sacerdote cometeu um erro no cumprimento, pois não dominava bem o grego, e a sua pronúncia de "Ó meu filho" pareceu-se mais com "Ó filho de Zeus", o que seria um prenúncio das fantásticas profecias que o oráculo lhe diria: Sim, ele era filho de Zeus-Ámon, sim, ele conquistaria a Pérsia e sim, todos os assassinos do seu pai tinham sido punidos, os Deuses não interfeririam mais nesse assunto. Alexandre obtia assim a confirmação de que era filho de um Deus e, portanto, um Heros, um Herói.

Mas depressa se cansou da paz e partiu para aquela que seria a mais bem documentada e mais famosa batalha de Alexandre: em 331 deu-se a Batalha de Gaugamela.

Gaugamela no filme Alexandre, o Grande

Dário tinha preparado uma nova arma para esta batalha que ameaçava destruir as falanges gregas: às rodas das quadrigas tinham sido presas katanas (espécie de espadas com lâmina de um só lado) de um metro que durante a batalha foram matando gregos e persas das mais variadas formas. Mas Alexandre estava determinado a capturar Dário, e este acabou por tentar fugir. O general macedónio tê-lo-ia capturado, não fora o pedido de ajuda de Pármenion que fez Alexandre escolher salvar a sua própria infantaria. Novamente vencia uma batalha que parecia perdida.

Em 330 Alexandre tomou Persépolis, tornando-se rei de toda a Pérsia. Os seus homens saquearam a cidade e chacinaram os seus habitantes, matando-se também uns aos outros na euforia. Com este tesouro, acumulado com o do Egipto e o da Grécia, Alexandre tornou-se o homem mais rico de todo o mundo.

Mas uma noite, embriagado, pegou fogo à cidade e destruiu aquela que tinha sido a mais poderosa cidade de então e que tinha causado tanta dor aos gregos.

Alexandre prosseguiu então na sua busca por Dário, para que este reconhecesse que o general era agora o rei. Entretanto, o ex-rei persa fora traído pelo seu general Bessus e este acabou por matá-lo. Quando Alexandre encontrou o corpo deu-lhe um funeral de rei e um enterro na residência real.

Nessa altura os gregos e macedónios estavam à espera de regressar a casa, mas Alexandre não o quis e vai numa excursão errante rumo à Índia, conquistando pequenos reinos tribais pelo caminho. Nessa altura a sua liderança esteve ameaçada e ele teve que executar alguns dos seus companheiros de infância por meras suspeitas que os inimigos destes aproveitavam.

Casamento de Alexandre e Roxane segundo o filme Alexandre o Grande

Então aconteceu algo inesperado: Alexandre casou. O mais estranho foi a sua escolha, Roxane, a filha de um rei local de pouca importância. O casamento não era politicamente muito importante, no entanto firmava que Alexandre adoptava a Pérsia como sua casa, reforçando a confiança dos seus súbditos mais recentes, mas aumentando a desconfiança dos mais antigos. Outra hipótese é que o casamento tenha acontecido porque Alexandre se apaixonou verdadeiramente.

O facto é que a partir daí Alexandre se foi afastando dos costumes gregos para cair na boémia e boa vida dos nobres persas: tinha centenas de concubinas, exigiu que o tratassem como um ser superior, o que era considerado uma afronta pelos gregos amantes da liberdade e que valeu a Calístenes, o seu historiador e sobrinho de Aristóteles, a execução. Apenas a veneração aos Deuses helénicos se mantinha constante.

Depressa continuou com a sua demanda pela Índia, onde enfrentou uma nova ameaça, que o fez finalmente desistir e voltar para casa: os elefantes de guerra. Mas mesmo o regresso não foi pacífico, descendo pelos rios e conquistando as cidades por onde passava. Até que chegou a Mali.

Mali, a última conquista de Alexandre

Tal como fizera com as restantes cidades, Alexandre decidiu conquistar Mali. Mas antes de começar o cerco, um vidente aproximou-se dele e avisou-o que se não desistisse dessa cidade sofreria um ferimento muito grave. Alexandre não acreditou na profecia enviada por Febo e esta acabou por se concretizar, curiosamente com o ferimento de uma seta, outro atributo de Apolo.

Alexandre ultrapassara os seus limites, e os Deuses tinham deixado isso bem claro. A partir daí a sua vida foi progressivamente piorando. Em 324 morreu Hefaestion, o seu amigo mais chegado, de uma doença desconhecida. Alexandre mandou executar o médico e chorou durante dois dias, Depois disso, o próprio Alexandre fica retido na Babilónia, padecendo de outra doença desconhecida, e daí nunca voltou a casa para ouvir o que a mãe lhe prometera dizer.

Aos 33 anos, a 9 de Junho de 323 Alexandre morre sem nomear herdeiro. As suas últimas palavras foram a resposta à pergunta de a quem deixaria o reino "Ao mais forte" disse, e calou-se para sempre.

De que morreu? Alcoolismo? Malária? A ferida da seta? Auto-destruição compulsiva? Todos os motivos têm sido apontados, mas o mais provável é que tenha sido a combinação destes quatro problemas.

O seu império foi desfeito com grandes conflitos e dividido entre muitos nobres. Quanto ao seu corpo, que era um símbolo de poder, ia ser enterrado na Macedónia, em Péla, mas Ptolomeu, o novo faraó do Egipto capturou-o e conservou-o em Alexandria. Quando havia reuniões dos líderes, as armas de Alexandre e o bastão ainda se sentavam à cabeceira da mesa e ele passou a ser venerado como herói.

Muitos anos depois, quando o último faraó do Egipto, Cleópatra, uma descendente de Ptolomeu, se suicidou com uma serpente, perdeu-se a localização do corpo de Alexandre e ainda hoje não se sabe onde ele descansa no seu repouso eterno.

 

~Miguel