Thiasos Portus Kale


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  A Ilíada

A Ilíada, tal como o outro poema de Homero que conhecemos e como os outro oito que ele, supostamente, escreveu, centra-se sobre um pequeno momento na Guerra de Tróia. Mais propriamente, ela centra-se sobre a ira de Aquiles, tal como definido no primeiro Canto, nas suas causas e consequências.

Quando se inicia o poema, já nove anos decorreram desde o início da Guerra de Tróia. Esta começou quando Páris, quebrando as regras da hospitalidade, partiu de Esparta levando consigo Helena, a mais bela das mulheres, filha de Zeus, a qual era casada com Menelau.

De facto, a história começa muito antes, com uma maçã que Éris, a discórdia, atirou aos Deuses, maçã essa que ficou conhecida como o Pomo da Discórdia. Mas isso é outra história e não diz respeito à parte da Ilíada.

Após estes anos de cerco, sem resultado, os aqueus (gregos) começam a ficar cansados e há grandes tensões entre os chefes destes, dos quais Aquiles e Agamémnon fazem parte.

Se a Ilíada tem, indubitavelmente, Aquiles como personagem principal, Heitor, príncipe de Tróia, é que apresenta os valores e as normas esperadas de um homem pacífico, de família, assumindo uma extrema importância na obra.

 

Resumo Geral

Ao contrário da Odisseia, esta obra cumpre as leis cronológicas, seguindo toda a história uma direcção única, sem avanços nem recuos, começando no início e acabando no final.

Assim, começa por nos apresentar a causa da ira de Aquiles. Crises, um sacerdote de Apolo, pede a Agamémnon que este devolva a sua filha, mas o rei recusa-se. Como consequência, Crises pede a Apolo que castigue o rei, e uma praga abate-se sobre o campo dos aqueus.

Percebendo finalmente o que se passa, Agamémnon devolve Criseide, mas em troca exige Briseide, o troféu de Aquiles. Este recusa-se, mas não pode evitar que o rei lhe arranque a jovem à força. Como consequência, Aquiles não agirá mais durante a guerra, até um outro momento decisivo.

Importa agora saber que Aquiles era filho de Tétis, uma Deusa do mar, de quem Zeus gosta muito, mas com quem não casou devido a um oráculo que dizia que o filho que tivesse Dela O tiraria do trono. De qualquer maneira, Zeus tem Tétis em grande estima e, quando Esta lhe pediu que honrasse o filho e não deixasse os aqueus vencerem até reconhecerem Aquiles como o mais importante deles, o Senhor do Olimpo não hesitou em satisfazer o pedido.

É também importante saber que todos os deuses tinham posições muito bem definidas sobre quem ajudavam. Hera e Atena, por causa da história da maçã, estavam do lado dos aqueus, enquanto que Afrodite, pelo mesmo motivo, lutava pelos Troianos. Apolo estava com os Troianos, mas sem contrariar a vontade dos deuses mais velhos, ao contrário de Artémis que, do lado dos Troianos, chegou a desafiar Hera, mais poderosa. Posídão preferia os aqueus, pois os Troianos ofenderam-No quando se recusaram a prestar-lhe culto.

Outros deuses também tomaram partido na querela, como Ares, normalmente do lado dos Troianos, ou Hefaesto, do lado da Sua mãe.

Voltando à história, desde o momento em que Aquiles foi ultrajado, a guerra começou a virar a favor dos Troianos. Por momentos a vantagem voltava aos Aqueus, nomeadamente num episódio muito falado: o embuste de Hera.

Hera queria intervir na Guerra, mas Zeus tinha proibido todos os deuses de o fazer, ameaçando-os com a famosa história do cordel dourado (se ele puxasse de um lado e todos os outros deuses do outro, Zeus arrastá-los-ia a todos e ainda à Terra e ao Oceano). Então, Ela pediu a Hipnos que O adormecesse com uma canção de embalar e tomou emprestadas as fitinhas encantadas da Deusa Afrodite, que encantam qualquer um, com a desculpa de que ia resolver um desentendimento entre os titãs.

Depois de se arranjar, deitou-Se com Zeus e fizeram amor envolvidos por uma nuvem espessa que deitava gotas luminosas, até que Zeus adormeceu. Os Deuses ficaram então livres para intervir na guerra.

Eventualmente, chega a altura em que os gregos percebem que lhes faz falta Aquiles, e tentam pedir-lhe desculpas, oferecendo-lhes múltiplos presentes e mandando o mais astuto e hábil em palavras de si, Ulisses. Mas não conseguem demover o herói.

Conseguem, no entanto, convencer Pátroclo, o melhor companheiro de Aquiles, de que lhes faz falta um herói. Então Pátroclo pede a Aquiles que o deixe ir para a frente da falange, com a sua armadura, para incutir força no coração dos aqueus. Aquiles consente.

Então Heitor mata Pátroclo, julgando tratar-se de Aquiles. Este, enraivecido, resolve voltar a intervir na guerra, iniciando-se uma tremenda chacina que revolta Xanto, o deus do rio de Tróia, que resolve intervir e só não mata Aquiles porque Hefaesto não deixa.

Heitor luta com Aquiles e Zeus pesa o destino de ambos, concluindo que Heitor morrerá. Assim acontece, e Aquiles, impiedoso, arrasta o corpo de Heitor, impedindo que este tenha um funeral.

Durante vários dias arrasta o corpo de Heitor ao redor do corpo de Pátroclo e mata nobres troianos em honra do companheiro, até que o fantasma deste o visita e pede que pare com aquilo e o enterre, pois deseja ter paz no Hades.

Aquiles assim faz, e o corpo de Heitor fica abandonado. Mas durante todo este tempo, os Deuses ficaram horrorizados com a atitude de Aquiles, e conservam o corpo de Heitor.

Então Hermes ajuda Príamo, rei de Tróia e pai de Heitor, a chegar à tenda de Aquiles sem que ninguém note, enquanto que a mãe deste, Tétis, explica ao filho que os deuses não gostam do seu comportamento.

Príamo conversa com Aquiles, num diálogo comovente em que Aquiles chora pelo seu pai e Príamo chora pelo seu filho. Finalmente, Aquiles decide dar o corpo de Heitor e promete um tempo de tréguas para que se possam realizar as cerimónias fúnebres do guerreiro.

Assim, a Ilíada termina com um Aquiles mais maduro e sábio que aquele que, no início, sacrifica a vida de milhares de aqueus e troianos por uma mera fúria.

 

~Miguel