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  Venerações Espontâneas

Ás vezes sente-se uma vontade de celebrar algum evento ou algum deus sem qualquer motivo ou pensamento prévio. Com todas as complicações de um ritual completo, como realizar estas venerações espontâneas e não sentir que se está a fazer algum tipo de hubris?

Em primeiro lugar há que considerar o tempo que temos disponível para a celebração espontânea, ou seja, se é algo que fazemos nesse instante ou algo que vamos fazer e que vai ocupar-nos, por exemplo, a tarde ou algumas horas.

Para as celebrações mais instantâneas existem várias sugestões: uma prece de agradecimento, uma canção, uma libação simples ou uma oferta rápida. Basicamente é demonstrar kharis para com o deus ou a deusa em questão de uma forma rápida.

Por exemplo, se estivermos para começar uma refeição podemos guardar um bocado dedicado à divindade. Ou então podemos fazer uma breve meditação sobre um aspecto relacionado com ela(e). Basicamente, as possibilidades param com a nossa imaginação.

E se dispusermos de mais tempo? Nesse caso a escolha da veneração não passa tanto pelos materiais disponíveis no momento mas pelo espírito do praticante. Nessas ocasiões recomendo que se faça exactamente aquilo que se sente sem ter medo da hubris. Uma pequena purificação antes e, então, realizar a veneração. A kharis é, na minha opinião, mais importante que a hubris ou o miasma.

E se não sentir vontade de fazer nada em específico, mas apenas uma vontade de venerar a um certo deus ou deusa? Aqui fica uma pequena lista de ideias:

  1. Um pequeno ritual, com uma purificação rápida, uma vela como fogo sagrado, uma libação e uma oferta, que pode ser comestível ou, tão simplesmente, um poema ou palavras inspiradas no momento;

  2. Meditar sobre a divindade: qual a relação entre os seus vários aspectos, um dos seus mitos, a forma como ela(e) influencia o mundo e a nossa vida são apenas algumas ideias sobre temas da meditação;

  3. Produzir uma peça de arte para a divindade, quer seja um poema, um desenho, uma canção ou qualquer coisa para o deus ou a deusa. Depois pode-se usar o que se produziu em rituais, num altar ou até em outras venerações espontâneas;

  4. Dedicar o dia a alguma coisa relacionada com a divindade: à Natureza para Ártemis, à poesia ou à música para Apolo, à família para Hestia, entre outras opções para cada uma das divindades;

  5. Montar um altar para a divindade, quer seja permanente ou temporário, mesmo só para o momento, quer seja no mundo físico, espiritual ou virtual;

  6. Aprender sobre a divindade através de livros ou da Internet, navegando, por exemplo, em templos virtuais dedicados a essa divindade e deixando ofertas;

  7. Escrever sobre a divindade, quais as convicções que se tem sobre ela(e), qual a sua influência sobre a nossa vida e como poderíamos melhorar a relação com ele(a). Esta é uma versão alternativa à meditação;

  8. Outra versão alternativa à meditação é a visualização. Visualizar um encontro com a divindade pode constituir as raízes para uma experiência mística;

  9. Dedicar-se ao estudo de um mito da divindade: pesquisar acerca dele, escrevê-lo, imaginar-se no papel dos diferentes intervenientes e fazer pequenas alterações pensando que escolhas efectuaríamos quando confrontados com as mesmas dúvidas e, mais importante, extrair as lições do mito.

  10. Pedir inspiração à divindade e fazer aquilo que vier: afinal quem sabe melhor o que quer se não o próprio deus ou a própria deusa?

     

~Miguel