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Festivais Hoje
Como se conclui no artigo anterior, o facto de os festivais serem
essencialmente comunitários e ser esta componente que os distinguia
do culto quotidiano torna-os muito difíceis de reconstruir no
contexto moderno, isto porque hoje a comunidade é ainda muito
pequena. Talvez no futuro a comunidade cresça, mas por enquanto até
encontrar pagãos em geral é difícil e se queremos um festival
comunitário temos que nos juntar a eles, o que, de facto, torna o
ritual ainda mais rico.
Mas na sua grande maioria, o Hellenismos e os seus festivais
continuam a ser uma actividade solitária. Então como adaptar os
festivais, mais especificamente o ágon e a pompé, à vida moderna.
A resposta mais óbvia é a Internet, o sítio onde a comunidade é
grande o suficiente. De facto, ultimamente têm sido conduzidos
alguns ágons na Internet com sucesso, bem como simpósios antes ou
depois dos festivais e celebrações em substituição da pompé através
de chat rooms ou listas de mailing.
No entanto, o verdadeiro ritual não é conduzido na Internet porque
ela é muito limitativa e pode diminuir a experiência do ritual e o
acto de comunhão com o divino, pelo que muitos optam por fazer os
rituais de forma totalmente solitária.
Este culto pessoal abre o caminho à construção de rituais próprios
que, mais tarde ou mais cedo, todos acabamos por fazer. Datas
significativas para cada um, como aniversários, datas de revelação,
datas escolhidas por serem mais práticas ou adaptações a outras
actividades familiares podem ser celebradas em vez dos rituais
tradicionais se assim for mais prático.
Como se fazem estas celebrações? O ritual em si é igual a qualquer
outro, pelo que a diferença se encontra na pompé e no ágon, as
partes comunitárias que têm que ser substituídas. Essa substituição
pode de facto enriquecer o ritual: qualquer coisa que o faça pode
entrar na estrutura do ritual e, quem sabe, tornar-se numa tradição
pessoal relativa a esse festival.
Algumas sugestões são fazer arte ou poesia ao Deus ou Deusa,
escrever artigos ou reflexões, cozinhar para o ritual, decorar a
casa ou construir um altar, ir para um passeio ou fazer do ritual um
piquenique, entre outras coisas mais específicas para cada Deus,
como arrumar a casa para Héstia ou limpar um parque para Artémis.
Thargelia
Vejamos primeiro o exemplo de reconstrução de um festival antigo, a
Thargelia. Este festival era celebrado em honra de Apolo enquanto
purificador. A sua função primordial era afastar as negatividades da
pólis. Visto que a nossa pólis se reduz agora à nossa casa, a
Thargelia moderna centrar-se-á na remoção de miasma da casa.
Para além do ritual normal pode-se decorar a casa com coisas
relativos a Apolo, como jacintos, loureiro, música, etc. Para além
disso pode escrever-se em papel todas as coisas negativas que vêm à
mente do ano anterior e colocá-las num boneco feio que depois se
queima.
Músicas, danças e simples celebração podem seguir este acto, bem
como acções rituais de purificação, como salpicar a casa com
khérnips ou fumegá-la com incenso.
Dia da Árvore
O Dia da Árvore é um dia totalmente moderno, mas parece muito bem
adaptado a um festival para Artémis e Gaia. Para além disso é outro
festival wiccan pelo que é mais provável podermos celebrar em
comunidade. No entanto, se o fizermos sozinhos podemos, para além do
ritual, plantar uma árvore, ou tratar de um jardim ou de uma
floresta. Passar o dia fora de casa pode ser uma óptima ideia, ou
então tratar das plantas em casa ou contribuir para uma associação
de protecção da Natureza.
Estes são só alguns exemplos do que se pode fazer, mas a imaginação
é mesmo o único limite. O que há que lembrar é que o que faz o
festival um dia diferente dos outros são precisamente as acções não
rituais e essas não podem ser reconstruídas, mas podem ser
realizadas com significado para nós, para o mundo moderno e,
sobretudo, para os Deuses.
~Miguel
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