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Thiasos Portus Kale |
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| Natureza Divina Uma crença comum a todos os wiccans é que existe um só Deus e uma só Deusa e que todos os Deuses das milenares religiões politeístas não são mais que facetas do Deus e da Deusa. Por outro lado, temos o Cristianismo que vai mais longe e afirma que os Deuses do politeísmo, bem como o Deus e a Deusa do paganismo não são mais que demónios, ou então imagens distorcidas de um único Deus omnipresente e omnipotente. Finalmente, temos a perspectiva politeísta de religiões reconstrucionistas, ou da religião Hindu, de que existem muitos Deuses diferentes. Qual das perspectivas está errada? Porque, se analisarmos bem, todas fazem sentido e os seguidores de cada uma estão convictos que ela é verdadeira e certa. Obviamente que excluem as outras como erradas, pelo que temos perspectivas sobre a divindade que são, ao mesmo tempo, erradas e certas. E se existisse uma maneira de conjugar todas elas, uma explicação que permitisse admitir, ao mesmo tempo, que existem muitos Deuses individuais, que todos os Deuses são um Deus e todas as Deusas uma Deusa e, ainda, que esse Deus e essa Deusa são um só? A perspectiva que aqui apresento é perfeitamente pessoal e não uma verdade absoluta. De certeza que vou ter quem concorde com ela, quem não a repudie mas também não aceite e, disto estou perfeitamente certo, que a rejeite automaticamente. Ao estudar xamanismo durante o meu estudo das espiritualidades do mundo, entrei em contacto com uma noção que faz parte também da Wicca e de muitas religiões, especialmente neo-pagãs, mas sobre a qual nunca tinha reflectido muito profundamente: a Teia do Poder (ou Rede do Poder). Para quem não está familiarizado com o xamanismo, passo a explicar, de uma forma muito breve e incompleta, o que é a Teia do Poder. Para o xamã tudo no mundo físico tem uma contraparte no mundo espiritual, uma alma ou uma aura que é inerente a tudo o que existe, desde o ser humano mais incompleto até a pedra da calçada, passando por todos os animais, plantas, fungos, seres vivos e não vivos. Todas estas almas do mundo espiritual estão interligadas por uma rede, a Teia do Poder, que as torna a todas uma parte de um ser maior, o Universo, todos seres são individuais e complexos por si mesmo, com a sua própria personalidade e vontade, mas, ainda assim, parte de algo mais, do inconsciente colectivo de Jung ou do Grande Plano. É desta forma que o xamã explica fenómenos como a magia, o psiquismo, a divinação, entre outros. É por este motivo que o xamã considera cada pessoa como indivíduo mas também como uma parte de algo mais. E é também por este motivo que ele tenta manter o equilíbrio entre o bem e o mal, a destruição e a criação – a neutralidade necessária à perpetuação da colectividade. E se algo de semelhante se passasse com os Deuses? E se eles existissem como seres individuais e complexos, com as suas próprias relações e conflitos, o que explicaria todas as contradições do mundo, mas ao mesmo tempo estivessem ligados por uma espécie de Teia do Poder Divina que faria com que o mundo avançasse sempre em equilíbrio? Se isso acontecesse podíamos admitir a verdade presente no politeísmo, no paganismo, no panteísmo, no duoteísmo e, até, no monoteísmo. Todos os Deuses seriam indivíduos ao mesmo tempo que eram facetas do mesmo Deus(a). Na minha opinião esta visão é algo de possível e pode ser um passo na reconciliação entre as religiões que parecem tão contraditórias entre si. Mas esta é apenas a minha visão o que significa que tem tanta probabilidade de estar errada como certa, aliás como qualquer outra afirmação que façamos sobre a natureza divina. De qualquer maneira, convido-o a reflectir sobre isto e sobre as suas próprias convicções do divino. Muitas pessoas acreditam mas não têm as suas crenças bem definidas o que as dispersa um pouco neste grande mar que é a religião. Pense um pouco sobre aquilo em que crê e verá a sua fé reforçada. Acredite em mim, vale a pena pensar nisto.
~Miguel |
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