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  Atena

Atena, Parténon de Nashvile

Atena tem provavelmente origem micénica. O seu nome original devia ser Palas e quando se tornou Deusa de Atenas torna-se Palas Athenaia, ou seja, Palas de Atena. O nome Atana Potinija existe já no linear B, mas segundo Burkert aqui deve ser lido como Senhora de Atenas.

Ela é essencialmente a Deusa da polis, da cidade, e os seus templos localizam-se em muitas cidades na acrópole, o centro. Tal como as cidades, ela é virgem e intocável, mas ao mesmo tempo em Atenas é mãe do fundador mítico, Erecteu. Contava-se que Hefesto a teria tentado violar, mas o seu sémen caiu na coxa da Deusa, que o atirou ao chão e, assim, nasceu Erecteu.

Na acrópole de Atenas a sua imagem mais antiga e usada para culto é o Paládion (literalmente "Pequena Palas"), feito de madeira de oliveira, e não a grande estátua de Fídias do Parténon, reproduzida na imagem. Contava-se que outrora ela e Poseidon teriam competido pela cidade e a Deusa oferecera a oliveira ao homem, ganhando assim Atenas para si. Uma oliveira sagrada era mantida na Acrópole em sua honra.

É também uma Deusa belicosa, do esplendor da guerra, da estratégia e da razão. É representada com a lança e a sua armadura é a égide, a pele da cabra que era uma górgona e que ela mesmo esfolou para fazer a sua égide. A cabeça desta górgona é ainda representada no seu escudo, como uma cabeça de mulher que em vez de cabelo tem serpentes a saírem-lhe da cabeça. Noutro mito, a égide seria a pele do gigante Palas, que ela mesmo teria morto e esfolado.

Como Deusa da cidade ela é a protectora dos teares e das tecedeiras, já que o tecido e os bordados são frequentemente o orgulho do lar na antiga Grécia. Burkert diz que estas suas facetas são exemplos da organização da cidade: agricultores (oliveira), mulheres (teares), artesãos (ela é a Deusa da olaria) e guerreiros.

Atena é singular num aspecto: ela acompanha de muito perto os seus protegidos, lutando ao seu lado, inspirando-os, actuando até como a sua consciência. Ela é assim a Deusa dos olhos brilhantes que nos inspeccionam e nos advertem.

Ela é também a Deusa da sabedoria, do intelecto e dos esquemas. A sua mãe é Metis, a quem Zeus engoliu ao descobrir que estava grávida dele, pois havia um oráculo que dizia que o filho que dessa união saísse o destronaria. Então foi necessário que Hefesto abrisse a cabeça do seu pai e dela saiu Atena, já armada, e dançou uma dança armada terrível, dança que era repetida nas Panatenaias, o grande festival ateniense e sua honra.

O seu culto estava presente por toda a Grécia, principalmente em Atenas, da qual era padroeira, e está também muito presente na épica. As suas festas eram muitas e variadas, havendo festas em que as suas estátuas eram lavadas, em que se lhe ofertavam vestidos, havia competições em sua honra e até, nas Plintérias, julgamentos de homicídios aos quais ela presidia, sendo a sua estátua levada em procissão solene até ao tribunal.

~ Miguel

 

Significado Moderno: Atena é hoje em dia considerada sobretudo como a Deusa da sabedoria e da inteligência, sendo que o seu aspecto mais importante na antiguidade de Deusa da cidade e da comunidade é frequentemente negligenciado. É a Deusa que preside à execução de planos, de actos valorosos e aquela que aconselha e vigia enquanto empreendemos jornadas difíceis, ensinando-nos com conselhos e encorajando-nos. É pouco sábio ignorar os seus conselhos.

Modos de venerar: para além dos típicos rituais Olímpicos, pensar antes de agir, reflectir sobre os assuntos pendentes, ser organizado, dar valor à comunidade e respeitar os deveres cívicos, participar em festas e eventos comunitários, exibir orgulho da sua cidade, isto para além de experimentar olaria ou bordado.

Símbolos: égide, coruja, capacete, lança, oliveira

Animais: coruja, serpente, cabra

Outras ofertas: vestidos, azeite, ervas aromáticas, lã, amêndoas, símbolos nacionalistas, bordados, jarros e outros objectos de olaria, turquesa, açafrão




Hino Homérico 11 a Atena
De Palas Atena, guardiã da cidade, eu canto. Temível ela é e com Ares ama os feitos da guerra, o saque das cidades, os gritos e a batalha. É Ela quem salva as pessoas que vão à guerra e regressam. Viva, Deusa, e dá-nos boa fortuna e felicidade!



Hino Homérico 29 a Atena
Começo a cantar a Palas Atena, a Deusa gloriosa, de olhos brilhantes, inventiva, de coração implacável, virgem pura, salvadora de cidades, corajosa, Tritogeneia. Da sua terrível cabeça o próprio Zeus sábio a concebeu, vestida em armadura de ouro brilhante e o espanto acercou-se de todos os Deuses quando a viram. Mas Atena saltou rapidamente da cabeça imortal e ergueu-se perante Zeus, portador da égide, agitando a lança afiada: o grande Olimpo começou a tremer horrivelmente do poder da Deusa dos olhos cinzentos, a redonda terra quase gritou de medo e o mar agitou-se e ergueu ondas negras enquanto a espuma se formava violentamente, o brilhante filho de Hiperion parou os seus cavalos velozes por longo tempo, até que a donzela Palas Atena tirou a armadura celestial dos seus ombros imortais. E o sábio Zeus ficou contente. Saudamos-te, filha de Deuses que guarda a égide!



Hino Órfico 32 a Atena
Descendente única, nobre raça de Zeus, abençoada e determinada que se regozija em cavernas a pilhar: ó Palas guerreira cuja raça é ilustre, inefável e exprimível te achamos, magnânima e famosa, Tu alegras-te nas alturas rochosas, bosques e montanhas brumosas, regozijas-te nas armaduras e inspiras as almas dos mortais com fúria imparável e selvagem. Virgem ginástica de mente terrífica, medonha ruína das Górgonas, solteira, abençoada, gentil, mãe das artes, impetuosa; és entendida como fúria pelos maus mas como sabedoria pelos bons. Mulher e homem, as artes da guerra são tuas, ó formada Drakaina, inspiração divina, sobre os Gigantes de Phlegraion, erguidos em fúria, os teus corcéis conduzem com fúria destrutiva. Tritogeneia de aspecto esplêndido que nos libras de males, rainha vitoriosa. Ouve-me, ó Deusa, quando te rezo com voz suplicante, de dia e de noite, e na minha última hora dá-me paz e saúde, tempos propícios e a prosperidade necessária, e sê sempre presente ajudando os teus iniciados, ó Implorada, mãe das artes, donzela de olhos azuis.
 

 

Em textos antigos:
     Apolodoro
     Apolónio de Rodes, Argonáutica
     Eurípides, As Suplicantes
     Ésquilo, Euménides
 
    Heródoto
     Hesíodo, todas as obras
     Hino Homérico a Afrodite
     Hino Homérico a Apolo
     Hino Homérico a Atena
     Homero, Ilíada e Odisseia
     Pausânias
     Píndaro
     Platão, Leis
     Plutarco, Alcibíades e Temistócles
    
Sófocles, Ajáx

 

Ver também no site:
      Zeus
      Métis

      Hefestos

      Heleno e Atena